Diagnóstico automotivo avançado: aplicação do Manual Osci

homem segurando um osciloscópio para fazer o diagnóstico automotivo avançado

Atualizado em 23 de dezembro de 2021

Entenda os principais pontos para realizar um diagnóstico automotivo avançado e aplicar o manual Osci.


Fala amigo reparador, tudo bem?

No texto vamos apresentar a aplicação prática do manual OSCI na identificação da falha de um veículo que há tempos estava tirando o sono de muitos reparadores.

Continue a leitura, pois nas próximas linhas você terá acesso a um conhecimento inédito sobre sincronismo virtual e real do motor.

Além de ter acesso a uma estratégia de diagnóstico que poderá ser aplicada nos diversos veículos presentes em sua oficina.

Tríade do diagnóstico

Para realizar um diagnóstico automotivo de forma rápida e assertiva o reparador deve conhecer os 3 (três) elementos principais do processo de identificação da falha.

Confira a figura a seguir:

esquema que ilustra a tríade do diagnóstico que são reparador, equipamentos e literatura técnica

O reparador é o protagonista, ele deve dominar o conhecimento técnico bem como, dominar as estratégias de diagnóstico.

A literatura técnica lhe proporcionará as informações de referência que darão segurança ao reparador ao decidir se o componente deverá ser substituído ou não.

Já os equipamentos são a interface entre o reparador e o veículo, eles têm a função de viabilizar a realização dos testes, que darão condições ao reparador de avaliar o estado real do componente ou sistema sob análise.

Estudo de caso

Vamos apresentar um estudo de caso, partindo da reclamação do cliente:

Veículo, HB20 1.0 12V ano 2015, chegou na oficina de reboque. Durante a entrevista consultiva o proprietário relatou que trafegava normalmente com o veículo, fez uma breve parada, e ao solicitar a partida, o veículo não entrou mais em funcionamento.

Foto do carro HB20 1.0 12V ano 2015 na cor branca
Foto HB20, retirado do site oficial da Hyundai.

Procedimento de diagnóstico

O primeiro passo foi entrar com o scanner e verificar possíveis códigos de falhas e fazer uma varredura em leituras de parâmetros.

Assim, o reparador constatou que não havia códigos de falhas na memória de avarias da unidade de controle do motor.

Sem perda de tempo e utilizando sua experiência, o reparador com identificou a suspeita do motor estar fora de sincronismo.

Ele, então, desligou o conector do sensor de fase, a fim de observar se o veículo entrava em funcionamento através do sinal do sensor de rotação.

Após a realização do procedimento, o motor entrou em funcionamento, indicando que provavelmente o motor estava fora de sincronismo.

Para confirmar a falta de sincronismo de forma rápida e sem a necessidade de desmontagem do motor, o reparador utilizou um osciloscópio e capturou os sinais dos sensores de fase e rotação.

Confira o exemplo na figura abaixo:

Imagem de um osciloscópio  capturando sinais dos sensores de fase e rotação
Osciloscópio capturando sinais dos sensores de fase e rotação

Ao visualizar o sincronismo virtual do motor, o reparador acessou o manual Osci, do Simplo, com o objetivo de identificar os oscilogramas de referência para o veículo em questão, como mostra a figura a seguir:

Imagem de um osciloscópio

Ao comparar os dois oscilogramas, o reparador constatou que havia uma diferença de 16 dentes, ou seja, estava absurdamente fora de sincronismo.

Diante da situação o reparador refletiu sobre algumas situações importantes. Confira quais foram, a seguir:

  • Como o veículo entrou em funcionamento com 16 dentes de diferença em relação ao seu perfeito sincronismo?
  • Por que durante o funcionamento do motor as válvulas não colidiram com os pistões, já que o motor está absurdamente fora de sincronismo?
  • O reparador sabia que só iria resolver o caso de forma definitiva após ter a resposta para essas duas questões.

O Simplo novamente ajudando o reparador

É do conhecimento dos reparadores, que o sincronismo entre os sensores de fase e rotação representa o sincronismo virtual.

Ou seja, o posicionamento do virabrequim e comando de válvulas lido pelo módulo do motor através dos sinais elétricos emitidos por estes sensores.

Entretanto, temos também o sincronismo real, que é a relação entre a posição da árvore de manivelas capturado pelo sensor de rotação e o ponto morto superior dos cilindros, capturado pelo sensor de pressão.

Essa última informação foi fundamental para a resolução do caso, pois o reparador acessou novamente o manual Osci e visualizou o sincronismo real desse veículo, como mostra a figura abaixo.

Imagem de osciloscópio mostrando o sincronismo real

É preciso conhecimento para interpretar os oscilogramas

Para extrair o máximo de informações dos oscilogramas presentes no manual Osci, o técnico automotivo deve dominar o conhecimento técnico referente aos sinais gerados pelos sensores. Só assim ele dominará a maestria no diagnóstico.

Para mostrar como se dá a geração do sinal dos sensores tipo Hall, vamos nos utilizar da figura a seguir.

esquema explicativo do sensor CKP e sensor CMP

Observando a imagem acima, vemos que temos três terminais no sensor CKP do tipo hall.

O primeiro, indicado pela letra B+ é a alimentação do sensor, o do meio é o sinal do sensor que pode assumir dois estados distintos, 0V ou 5V.

Quando um dos dentes da roda fônica passar na frente do sensor teremos 0V no fio referente ao sinal do sensor, e quando o entre dentes passar na frente do sensor teremos 5V no fio de sinal do sensor.

Desta forma, na passagem do dente teremos 5V e na ausência de dentes teremos 0V.

O terceiro terminal é o negativo ou massa do sensor que sempre apresentará 0V.

Dito isso, vamos agora para a interpretação dos oscilogramas do sincronismo real presente no Simplo, conforme exibe a figura a seguir:

Tela de um osciloscópio mostrando o sincronismo real

Na ausência de dentes, à frente do sensor de fase temos 5V no oscilograma do sensor de fase. Já na passagem do dente temos 0V no oscilograma.

A imagem acima apresenta o sinal de um veículo em perfeito estado.

Diante dessa imagem, o reparador concluiu que a única possibilidade era a movimentação do alvo do comando de válvulas em relação ao eixo.

Isso explicaria a grande quantidade de dentes de diferença entre o oscilograma do veículo e da imagem de referência do Simplo.

Além disso, explicaria porque não houve choque entre as válvulas e pistões quando o motor entrou em funcionamento.

Esse raciocínio foi confirmado quando o reparador colocou um comando novo ao lado do comando do veículo defeituoso, como exibe a figura abaixo:

Imagem mostrando o comando de válvulas do veículo

Solução do caso

O reparador, com total confiança, substituiu o comando de válvulas de admissão e montou a corrente, respeitando o perfeito sincronismo.

Ele também fez uma nova captura, após a correção, como mostra a figura abaixo.

Imagem de osciloscópio para diagnóstico automotivo avançado

Depois de confirmar a assertividade do diagnóstico, fez um teste de rodagem e constatou que o veículo voltou ao seu perfeito funcionamento.

Até a próxima!