Como funciona o Sensor de Temperatura dos veículos?

Atualizado em 31 de maio de 2021

Dando sequência às nossas informações sobre os diferentes sensores ligados ao sistema de injeção eletrônica, apresentamos o Sensor de Temperatura

Um automóvel pode ter dezenas de dispositivos eletrônicos com a capacidade de transformar determinadas grandezas físicas, como pressão, temperatura e movimento, por exemplo, em sinais elétricos para que se tornem informações úteis à Central Eletrônica. Esses dispositivos são chamados de sensores e, cada vez mais, fazem parte dos veículos modernos.

De acordo com a revista Quatro Rodas, as novas tecnologias proporcionaram um aumento significativo neste número. Em 1995, um modelo de luxo tinha cerca de dez sensores, monitorando motor, freios, transmissão dentre outros. Por volta de 2010, o mesmo carro apresentava, em média, 30 sensores. Já os carros atuais chegam a ter mais de 100 sensores distribuídos em diferentes sistemas.

Tudo isso torna a condução mais segura e confortável para o motorista e facilita o trabalho de manutenção e diagnóstico, feito pelos reparadores. Por aqui, nós já falamos sobre o Sensor de Pressão Absoluta do Coletor e, dessa vez, destacamos os sensores de temperatura.

O que é o Sensor de Temperatura?

O sensor de temperatura é um dos mais importantes componentes do Sistema de Arrefecimento do motor e está presente em todos os modelos de veículos. Sua manutenção é de extrema relevância para o bom funcionamento do automóvel. Se o sensor não estiver funcionando corretamente, o motor pode esquentar, fundir, estragar, ou seja, ocasionar problemas graves e caros de serem resolvidos.

Os sensores de temperatura são basicamente termômetros, que transformam as variações de temperatura presente no veículo em sinais elétricos. Sua aplicação varia de acordo com a região onde a verificação é feita, assim existem diferentes medições: temperatura do motor, temperatura do ar de admissão, temperatura interna ou externa do veículo. Estes últimos casos, relacionados diretamente ao sistema de ar condicionado.

Para que serve o sensor de temperatura?

Como o próprio nome sugere, esse tipo de sensor é responsável por conferir, constantemente, a temperatura do motor. Ele não serve apenas para detectar falhas ou mudanças repentinas no valor da temperatura: na verdade, ele cumpre papel fundamental para o bom funcionamento dos veículos.

É graças ao monitoramento feito pelo sensor de temperatura que, quando ocorre um superaquecimento (muitas vezes, provocado pelo vazamento do fluido de arrefecimento), são acionadas imediatamente as advertências no painel de instrumentos bem como, em muitos casos, o acionamento do eletro ventilador do radiador.

Estes são sinais que indicam ao proprietário a necessidade de levar o veículo à oficina!

Sensores de temperatura – princípio de funcionamento

Os sensores de temperatura utilizados nos sistemas de injeção são do tipo NTC (termistor, com semicondutores sensíveis à temperatura). Esse tipo de sensor é formado por uma cápsula ou suporte, no qual é montado um resistor NTC (Negative Temperature Coefficient). Sua característica principal é uma variação acentuada entre resistência elétrica e temperatura.

Nos sensores de temperatura NTC, o elemento sensor apresenta resistência negativa quando relacionado à temperatura. Ou seja, as variações de temperatura são inversamente proporcionais à resistência do sensor.

Podemos dizer então que quando a temperatura aumenta, a resistência diminui e vice-versa. Assim, a Central fica informada do valor de temperatura onde o sensor está inserido. Na sequência, apresentamos um gráfico como exemplo dessa relação. Ao analisarmos detalhadamente é possível constatar a informação recém citada.

Nota-se que à medida que a temperatura aumenta, a resistência do sensor diminui. Consequentemente, cada sensor vai ter um gráfico específico

Para tornar mais claras as verificações no sensor de temperatura, vamos analisar o funcionamento do seu circuito elétrico. Na figura abaixo, o sensor recebe alimentação de 5V, gerada internamente pela unidade de comando. Sua alimentação ocorre por meio de um resistor RI, que também está interno à UCE.

Junto à resistência do sensor, esse outro resistor acaba formando um divisor resistivo. Assim, a Central consegue fazer a leitura de tensão de resposta do sensor. A curva da tensão x temperatura deve, portanto, indicar:

  • Aumento na resistência do sensor + diminuição da temperatura = aumento da tensão UA
  • Diminuição na resistência do sensor + aumento da temperatura = diminuição da tensão UA
Diagnóstico do sensor de temperatura

As verificações de tensão do sensor podem ser realizadas tanto com o scanner automotivo, quanto com o multímetro. No nosso blog, você pode saber mais sobre o uso de ferramentas no diagnóstico automotivo.

1. Uso do multímetro

Com o multímetro, o primeiro teste a ser feito é o de alimentação do sensor. Para isso, desligue a ignição e desconecte o conector do sensor. Depois disso, ligue novamente a ignição e com o multímetro na escala de tensão, verifique a alimentação e seus terminais.

O valor deve ser, aproximadamente, 5V. Se os números apresentados no multímetro forem diferentes, é importante analisar o chicote elétrico e verificar a possibilidade de curto-circuito ou problemas internos na Central.

Já no teste de resistência elétrica do sensor é preciso medir os valores de resistência em diferentes temperaturas. Não esqueça de comparar com os valores da tabela de referências do veículo para tornar seu diagnóstico ainda mais assertivo. Nos manuais Simplo de Injeção Eletrônica, você consegue encontrar todas essas informações e o esquema elétrico do sensor.

Ainda com o multímetro, é possível verificar a tensão de resposta do sensor. Isso acontece com o conector no sensor e o motor em funcionamento, em diferentes temperaturas. Neste caso também é preciso analisar os valores e compará-los com as tabelas presentes em nossos manuais. A partir disso, você saberá se o sensor está em bom funcionamento ou precisa ser substituído.

2. Uso do scanner

O diagnóstico do sensor de temperatura com o scanner consiste na verificação da resposta do sensor. Isso pode ser observado na tela do equipamento. Inicialmente, o mecânico deve selecionar as opções do “Sensor de Temperatura da água” e “Sensor de Temperatura do ar”, comparar essas duas temperaturas e observar se são apresentados valores similares, conforme a imagem:

Lembre-se que para este teste o motor do veículo precisa estar frio (há horas sem funcionar). Se a variação for no máximo de 4°C, os sensores aparentemente estarão em bom funcionamento

Para confirmar a eficácia do diagnóstico, utilize um termômetro. Verifique novamente se os valores estão compatíveis, a fim de se certificar que os dois sensores estão trabalhando de forma adequada.

Conteúdos e manuais Simplo

No manual Injeção Eletrônica você encontra o esquema elétrico dos sensores, o passo a passo dos testes de diagnóstico, bem como as tabelas de referência citadas neste texto. Além disso, você também pode acessar nosso canal no Youtube e assistir vídeos técnicos, apresentados pelo consultor Laerte Rabelo. Aproveite já!