Curso de câmbio automático online e gratuito

curso gratuito de câmbio automático

Atualizado em 29 de junho de 2021

Se você procura um curso de câmbio automático à distância e gratuito, este é, provavelmente, o melhor material que você vai encontrar. Além de ter este conteúdo em texto, você pode assistir à vídeo aula, com mais de duas horas de duração.

O conteúdo original é encontrado no Treinamento Mestre Automotivo, curso gratuito oferecido pelo Simplo. Nosso consultor técnico automotivo, Laerte Rabelo, é quem media os estudos e traz um reparador especialista em determinada área.

Aqui, você confere os melhores momentos da aula gravada. Primeiramente, vamos fazer uma introdução ao sistema de câmbio e os tipos de transmissão automática. Na segunda etapa, vamos nos aprofundar na transmissão hidráulica automática convencional, que é o câmbio automático mais encontrado nos veículos que rodam pelo país.

Quem são os instrutores do nosso curso de câmbio automático?

Laerte Rabelo. Técnico automotivo pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará. Durante 10 anos, lecionou como Professor Técnico Automotivo no Senai-CE, sendo responsável pelas parcerias General Motors, Raven Ferramentas e Baterias Heliar. Atualmente, é consultor técnico do Simplo e do Jornal Oficina Brasil. Também é sócio proprietário da L. Rabelo Manutenção Automotiva.

Carlos Massa: Formado em Mecânica Automotiva em 1973, trabalhou na Rede Volkswagen durante 18 anos, chegando a ser Chefe de Oficina e Gerente de Serviços. Depois, por 7 anos, trabalhou na Ford, como gerente de serviço e monitor de treinamento na área de carros importados, transmissão automática e sistemas eletrônicos. Desde 2000, comanda a Massa Motors, oficina especializada em carros importados, transmissão automática, motores e sistemas eletrônicos.

Treinamento em câmbio automático é oportunidade para oferecer novos serviços

Segundo Carlos Massa, mais de 50% dos veículos novos vendidos hoje são automáticos ou automatizados. Logo, é uma área que pode ser explorada pelos reparadores, a fim de expandir sua oferta de serviços.

Vantagens da Transmissão automática

Enquanto o câmbio mecânico e o uso dos pedais acabam exigindo um desgaste físico, o câmbio automático oferece algumas vantagens ao motorista, além de proporcionar mais segurança.

Mas que vantagens são essas?

  • Conforto: a troca automática da marcha permite uma operação mais suave do veículo.
  • Arrancadas: para parar o veículo ou recolocá-lo em movimento é necessário voltar a primeira marcha pisando na embreagem, enquanto segura no freio de pé, o que gera desgaste ao motorista e alguns riscos, como o carro voltar um pouco de ré em subidas. Com o câmbio automático essa situação não existe.
  • Marcha mais assertiva: ela provê automaticamente a relação de marcha mais adequada para uma condição de direção segura
  • Segurança ao estacionar:  posição P (park) trava a transmissão para evitar que o veículo se movimente para frente ou para trás, quando estacionado.
  • Segurança ao dirigir: o motorista pode manter ambas as mãos no volante. Diferentemente de uma transmissão mecânica, que exige que o motorista trabalhe constantemente a alavanca de mudanças para mudar as marchas.

Tipos de câmbio automático

Tipos de câmbio automático

Hoje em dia nós temos as transmissões automáticas e, as automatizadas.

Nesse artigo vamos falar quais são os modelos de câmbios automáticos e seus componentes. Já em relação ao estudo, vamos nos aprofundar na transmissão hidráulica automática convencional, que é a encontradas nos carros que circulam no Brasil.

Transmissão automática com fluido hidráulico

  • Conversor de torque
  • Corpo de válvulas
  • Conjunto solares

Transmissão automatizada

  • Com embreagem convencional
  • Com controle hidráulico
  • Com controle mecânico

Câmbio DSG

  • Mecatrônica com controle hidráulico
  • Mecatrônica com controle mecânico

Câmbio CVT

  • Com conversor
  • Sem conversor

Transmissão hidráulica automática convencional

Dando sequência em nosso curso para mecânico de câmbio automático, vamos nos aprofundar no sistema de transmissão hidráulica convencional, já que é o mais comum nos veículos brasileiros.

Conversor de torque

O conversor de torque é o componente primário para a transmissão de força do motor para a transmissão automática. Ele é fixado por parafusos ao volante do motor, também conhecido como flexplate ou placa flexível, girando na mesma velocidade do motor.

Basicamente, o princípio de funcionamento do conversor de torque é como se colocássemos dois ventiladores um de frente para o outro. Ligamos apenas um e o vento gerado faz girar a hélice do outro.

Porém, no lugar de duas hélices movimentando o ar, são duas turbinas movimentando o óleo. O instrutor Carlos Massa explica que o óleo é tão importante para o sistema, que não é somente um lubrificante. É, sim, uma peça que envia força para a transmissão.

Uma dessas turbinas fica pressa no motor e a outra é fixada no eixo de transmissão. Assim, a rotação do motor vai fazer com que a outra turbina seja movida pelo óleo.  

Entre essas duas turbinas existe o estator, que é o multiplicador de torque. Quanto arrancamos o carro, um fluxo de óleo encontra essa turbina. Sua função é multiplicar o torque e, dessa forma, ajustar a marcha correta para o carro ter facilidade de saída na troca da marcha.

O conversor de torque é o maior ponto gerador de calor de uma transmissão automática convencional.  Nessa transferência de torque ocorre uma geração de calor muito grande pelo fato de a transferência ser por atrito. A temperatura chega a 300 graus no conversor de torque e essa temperatura não pode chegar até a caixa. Por esse motivo que algumas montadoras estão instalando mais um kit arrefecimento.

O superaquecimento de fluido pode ser por diversos fatores assim como o fluido de freio, o fluido de transmissão também perde as características com troca fora do prazo. Quando a caixa chega em uma temperatura de trabalho acima de 100 graus o câmbio pode superaquecer, o que leva ao enfraquecimento das peças e prejudica a transmissão das marchas.

Outro ponto que pode aquecer a transmissão é um engarrafamento muito intenso, ou o veículo com excesso de peso.

Dentro do conversor de torque há um lock-up. Ele realiza um travamento do conversor de torque para melhorar sua eficiência. Ao manter uma certa velocidade, o lock-up trava a rotação do motor, mantendo a velocidade sem a necessidade de manter o pedal de aceleração acionado. Com isso, diminui a temperatura do óleo e melhora o consumo de combustível do carro.

Em modelos mais antigos não encontramos esse recurso.

Troca de fluido do câmbio automático

A troca de fluido se faz necessária por causa das variações de temperatura e umidade. Quando a transmissão acontece, aumenta o calor interno e saem vapores para fora. Quando esfria ocorre a condensação, o que cria um vácuo puxando umidade para dentro ou até mesmo poeira e terra.

Podemos perceber que a durabilidade do óleo está diretamente ligada ao aquecimento. Então, o aquecimento do motor pode aumentar a temperatura do câmbio, diminuindo a via útil do óleo.

Outro fator importante é a funcionalidade do radiador, sendo este o responsável pelo resfriamento do carro. Se o radiador não estiver funcionando adequadamente, também pode interferir na durabilidade do fluido do câmbio.

Devemos considerar também a umidade no óleo. Ela pode danificar os módulos e, em longo prazo, até mesmo quebrar o câmbio. Por isso a necessidade de revisar o óleo a cada 10 mil quilômetros ou uma vez por ano. Quando necessário, deve-se trocar o óleo. Esse procedimento deve ocorrer, no máximo, a cada 4 anos.

Realizar essa manutenção preventiva evita desgaste no câmbio ou até mesmo uma ruptura, o que geraria um gasto bem maior ao proprietário.

Outro fato a ser considerado são os problemas que podem aparecer quando o óleo é trocado. Com o passar do tempo o óleo engrossa, por exemplo, e começa a mascarar desgastes nas peças. Logo, ao trocar o óleo esses desgastes vão vir à tona. Por isso, é necessário deixar o cliente dos possíveis danos que estejam mascarados por causa do óleo velho.

Mesmo assim, a troca do óleo e de todos os componentes danificados é necessário antes que cause um dano maior.

Procedimento para a Troca de óleo

Quando o cliente vem procurar o reparador, pode ser que ele queira uma troca de óleo preventiva, ou, por estar notando algum problema. É necessário entender bem a situação para evitar complicações maiores, como os desgastes mencionados acima.

Então, devem ser seguidos os seguintes passos:

1. Falar com o cliente: entender por que ele quer trocar o óleo, se já vez a troca antes e o que está notando de irregularidade no carro. Caso ele diga que é apenas, uma troca preventiva, faça os testes mesmo assim – para evitar que surja algum problema mascarado.

2. Conectar o scanner: além das informações que o scanner passar, lembre-se de verificar se não há nenhum código ou módulo na memória.

3. Dar uma volta com o carro: nem todos os problemas podem ser detectados pelo scanner. Por isso, sempre que possível saia com o carro, pois ao dirigir o veículo você poderá notar alguma inconformidade.

4. Se estiver tudo perfeito: levantar o carro e tirar um pouco do óleo do veículo. Se o óleo estiver muito escuro, devemos parar o serviço e chamar o proprietário para alertá-lo da necessidade de troca. Porém, essa troca pode fazer com que apareça algum defeito no câmbio, como os desgastes já mencionados. Deixe o cliente ciente do risco de aparecer algo a mais na troca do fluido e, também, dos danos futuros caso mantenha o óleo ruim.

Agora, se o óleo estiver bom e os testes anteriores não apresentarem nenhum problema, ótimo. Revisão feita e não há nada para ser trocado.

4.1 Se houver algum defeito: Aparecendo algum defeito, chame o cliente e explique que além da troca do óleo será necessário realizar o reparo. Não troque o óleo e nem faça o reparo antes de avisá-lo. Ele pode estar pensado que vai gastar apenas com a troca de óleo o carro vai ficar bom.

Teste de stall

Antes do teste de stall, é necessário verificar a transmissão e fluidos, já mencionados aqui. Afinal, se irmos direto para o teste de stall com algum problema na transmissão, a situação pode ser agravada.

Para fazer esse teste, primeiramente é necessário puxar o freio de mão e pisar no freio de pé. Depois, acelerar por 5 segundos para ver que rotação vai atingir. Se for repetir o teste, aguarde alguns intentes para esfriar o óleo.  

O resultado do teste se dá através da rotação que o carro atingir. Se o conversor, o motor ou as embreagens tiverem algum defeito o motor vai estar fraco e a rotação vai subir significativamente.

Aqui precisamos de uma atenção especial: cada carro possui uma rotação em específico, que pode variar de 1.700 a 2.500 giros. Para sabermos exatamente como funciona a rotação de cada carro, é necessário contar com um manual de câmbio automático.

Se o teste de stall indicar alguma inconformidade o próximo passo é descobrir onde está o problema. Para essa identificação, é necessário o uso do scanner. Devido à variedade de modelos veiculares, o modo de fazer os testes com scaner variam, como explica Carlos Massa.

Nem todos os testes que se aplicam a um carro pode ser feito da mesma maneira em outro modelo. Em virtude da grande variedade de veículos, não há como gravar tudo. Por isso a importância da literatura técnica específica.

No manual técnico do Simplo, o usuário tem acesso a este conteúdo, incluindo valores de temperatura de rotação, cuidados, alertas, entre muitas outras informações. É um manual bem completo para facilitar a realização do serviço e ganho de tempo no momento do teste.

Resumindo: o teste de stall serve para indicar que há alguma falha, no conversor de torque, no motor ou embreagens.

Se houver algum problema deve ser feito o uso de um scanner para identificar onde tem o defeito. Como há variações na fabricação de cada carro, o teste do scanner deve aplicado com a auxílio de um manual técnico.

Uso racional das marchas

Os maiores danos no sistema de transmissão, segundo Massa, é a falta de manutenção preventiva, falado anteriormente ­ — e o mau uso do sistema, que vamos estudar agora.

Jamais use os dois pés para dirigir um carro automático

Usando os dois pés para dirigir, podemos cometer o erro de acionar freio e acelerador ao mesmo tempo. Isso é grave para o conjunto do sistema de transmissão automática. Então, sempre deixe o pé esquerdo descansando e use o pé direito.

Carro em movimento normal

Sempre manter no Drive (D). As marchas serão feitas normalmente de acordo com o padrão feito no corpo de válvula e módulo de transmissão, daqueles que são controlados eletronicamente.

Técnica para ultrapassagem

Para efetuar uma ultrapassagem devemos evitar pisar fundo no acelerador até o carro ganhar potência e ultrapassar. Isso gera mais consumo de combustível e perda de tempo. O fato é que, para ultrapassar, precisamos de mais força no motor.

Então colocamos L1 e deixar a rotação subir até se aproximar a faixa de torque do motor. Aí sim poderemos acelerar. Com isso, vamos acelerar menos, aproveitar mais a transmissão, diminuir o consumo de combustível e fazer uma ultrapassagem mais segura.

Desse modo, podemos usar a caixa de câmbio para ter melhor controle sobre o carro. Isso pode ser aplicado também a outras situações como um uso mais esportivo ou uma curva com o freio motor acionado. Além do combustível, economiza-se também o freio.

Subidas

Em terrenos com aclives (grandes inclinações no solo), também devemos acionar o L1. Assim, o motor vai acionar a segunda embreagem e travar a roda livre. Além disso, o módulo vai entender que precisa de força e aumenta a pressão da transmissão. Com isso a caixa vai forçar menos, aumentando a vida útil do sistema.

Passe essas informações para os seus clientes

As informações que você está obtendo aqui, sobre o uso racional das marchas, não são conhecidas por muitas pessoas. E isso é de suma importância aos seus clientes. Quando falar sobre isso, eles vão perceber que você realmente entende do assunto e que se importa com a vida útil do carro.

Sistema Hidráulico

O corpo de válvula é uma placa de circuito eletrônico, é o “cérebro eletrônico” da transmissão hidráulica. Só que, em vez de passar elétrons, passa fluidos. É composto por diversas molas, esferas, resistências, entre outras peças.

Ao entrar em contato, o fluido vence a resistência da mola, o que vai dar passagem para um determinado circuito. De um lado, o circuito tem uma esfera, que seria um semicondutor e não vai deixar passar o óleo para o outro lado. Já do outro lado, há o caminho que ela vai seguir.

Placa do sistema hidráulico do câmbio automático
Placa do sistema hidráulico do câmbio automático
vetor placa do sistema hidráulico do câmbio automático
Vetor da placa do sistema hidráulico do câmbio automático

Então ele vai seguir por esse trajeto, até chegar na embreagem para dar situação de marcha necessária por meio da pressão causada pelo óleo.

Por isso, qualquer mínimo desgaste pode facilitar a passagem indevida do óleo, causando problema ao sistema.

Cinta de Fricção

Um dos enganos mais comuns que podem acontecer, é que, ao inspecionar o veículo com o scanner, acusa ser pressão no câmbio. Então, é feito o conserto trocando o óleo e solenoide. Porém, em poucos dias o câmbio volta a presentar falha.

Aqui voltamos a falar do óleo. Você já sabe da importância deste componente. Nessa situação, se o óleo estiver sujo, pode gerar desgaste interno. Então é necessário abrir o câmbio, pois a bucha pode estar danificada, o que leva a cair a pressão.  

Tabela de operação de componentes

A marcha do câmbio automático se dá através de uma combinação entre embreagens, freios e solenoides. Diferente da marcha manual que possui um canal específico, o câmbio automático troca a marcha por meio de uma série de informação que, em conjunto, acionam cada marcha.

Essa série de informações variam de acordo com a marca e o modelo de cada carro. Por meio dessa tabela, encontrada no manual câmbio automático, é possível entender como funciona cada um dos sistemas, de acordo com o carro que estiver em manutenção.

Tabela dos componentes do cambio automático
Tabela dos componentes do cambio automático

O manual câmbio automático do Simplo também traz outras tabelas indicando cada modelo de transmissão e em que carro elas se aplicam. Como por exemplo, a tabela do modo de aplicação de embreagem e suas variações.

Tabela de variação do câmbio automático
Tabela de variação do câmbio automático

Abaixo podemos observar como funciona a tabela de operação de componentes do câmbio automático.  No caso, apresentado como exemplo o da L4, mas todos os outros podem ser encontrados no Manual câmbio automático. 

Em resumo, antes de efetuar o conserto é necessário efetuar o diagnóstico. Para isso, devem ser usadas as ferramentas adequadas, como o osciloscópio, scanner e manômetro.

Conforme o mestre Carlos Massa orientou, nem sempre o scanner diz onde tem problema, como no caso de acusar falta de pressão. A falha pode estar sendo causada pelo desgaste da bucha na cinta de fricção; e erroneamente, trocarmos o solenoide.

Por fim, além desses equipamentos, de diagnóstico se fazem necessários os manuais. Por meio deles, é possível saber com exatidão como funciona cada sistema.

Contando com esse conjunto de ferramentas: scanner, manômetro, osciloscópio e manuais Simplo, conhecimentos adquiridos em cursos de manutenção de câmbio automático, é possível prestar um serviço de excelência aos clientes. Afinal, serviço de qualidade e devolução rápida do veículo atrai novos fregueses.

Conte sempre com o Simplo para manter a qualidade e a assertividade das reparações em sua reparadora!