Descarte de resíduos de oficina mecânica: como fazer da maneira correta

O gerenciamento e o descarte correto de resíduos também deve ser uma das preocupações das empresas que atuam com foco no mercado automotivo

Atualmente, o tema sustentabilidade vem sendo muito ligado ao cenário automobilístico. No Brasil, por exemplo, a frota de veículos que circula pelas estradas do país já passa dos 65 milhões. Com o aumento no número de carros, automaticamente, cresceu a demanda de trabalho dos reparadores e mecânicos, ao mesmo tempo que a quantidade de resíduos gerados por essas empresas também aumentaram.

É cada vez mais comum ver oficinas mecânicas que desenvolvem planos de gerenciamento para os resíduos produzidos durante a realização dos serviços de reparo e manutenção. A ação envolve investimentos em soluções ecológicas e sustentáveis, com intuito de descartar corretamente substâncias como óleo queimado, sobras de tintas, solventes, graxas e outros produtos tóxicos.

Além disso, a coleta de resíduos de oficina mecânica inclui o descarte de peças, pneus, estopas, papel e embalagens plásticas. Muitas vezes, as destinações tratam de reciclar os materiais ou usar os restos de produtos como combustível alternativo, para o processo de refino do óleo ou para queima em fornos de cimento. Então, vamos conferir como é possível implantar e administrar isso no seu negócio e contribuir positivamente com o meio ambiente.

Por que descartar corretamente os resíduos da sua oficina mecânica?

Grande parte do material produzido em oficinas mecânicas, se descartado de forma incorreta, pode causar sérios problemas para o meio ambiente. O tratamento inadequado destes resíduos pode degradar a qualidade das águas e dos solos, além de intensificar outros problemas ligados à poluição.

Com isso, muitas empresas perceberam a necessidade de desenvolver um negócio mais sustentável. O primeiro passo para alcançar a boa gestão de tratamento de resíduos sólidos e líquidos é conscientizar os profissionais da oficina mecânica sobre a importância do tema. Depois disso, você precisa entender como a legislação também prevê ações para a causa.

As normas da ISO 14000 (International Organization for Standardization) determinam diretrizes para garantir que empresas (públicas ou privadas) pratiquem a gestão ambiental. Estas normas são conhecidas pelo Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Conforme a organização, a gestão ambiental consiste em um conjunto de medidas e procedimentos bem definidos que, se adequadamente aplicados, permitem reduzir e controlar os impactos introduzidos por um empreendimento sobre o meio ambiente.

No Brasil, o órgão responsável pela adoção de medidas e resoluções que pautam o Sistema Nacional do Meio Ambiente é o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), criado pela Lei Federal nº 6.938/81. Os brasileiros também contam com planos estabelecidos com valor jurídico para o assunto. Um deles é o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), um documento técnico que analisa e confirma a capacidade de empresas descartarem, de forma correta, os resíduos que originam.

Para regularizar as atividades relacionadas à reparação de veículos automotores, juntamente às questões ambientais e de saúde pública, é importante que as oficinas mecânicas atentem não só para o destino adequado dos resíduos, como também para práticas que reduzam a geração dos resíduos sólidos e que façam a separação/reciclagem dos materiais.

Que tipos de resíduos são gerados em oficinas mecânicas?

Por resíduo entendemos toda sobra de produtos originada a partir de procedimentos relativos a alguma atividade humana. Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os resíduos podem ser sólidos ou líquidos.

  • Líquidos: provenientes das drenagens dos fluídos dos veículos, como direção hidráulica, óleo lubrificante do motor, fluído de freio, do sistema de arrefecimento, caixa de câmbio e emulsões oleosas.
  • Sólidos: são utilizados em serviços de reparação e manutenção, como panos e estopas, embalagens de produtos, vidros, baterias, lâmpadas, pneus, graxa, espelhos, peças de plástico, policarbonato, aço, metal, entre outras.

Nas oficinas mecânicas, o tratamento, armazenamento, transporte e destinação final destes produtos auxiliam no controle e na prevenção de possíveis impactos ambientais. Conforme a ABNT, os resíduos sólidos podem ser classificados, ainda, de acordo com as características de periculosidade que apresentam. Eles se dividem em dois grupos:

Classe I – perigosos

São todos os resíduos com propriedades físicas, químicas ou infecciosas que, quando gerenciados de forma inadequada, oferecem riscos e danos à saúde pública e ao meio ambiente. Para ser considerado perigoso, o determinado resíduo deve constar nos anexos A ou B da NBR 10004, bem como apresentar características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.

Alguns exemplos dos resíduos perigosos são: óleo lubrificante usado; baterias, visto que possuem componentes elétricos à base de chumbo; lâmpadas fluorescentes, que após o uso apresentam vapor de mercúrio; e efluentes líquidos de pintura industrial, cujo tratamento resulta na geração de iodo.

Classe II – Não perigosos

Os resíduos não perigosos são divididos em inertes e não inertes e apresentam propriedades distintas. Os inertes são aqueles que quando submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, não oferecem reações que afetam a potabilidade de água. Pneus, vidros e latas de alumínio, por exemplo, fazem parte deste grupo.

Já, os resíduos não inertes são biodegradáveis, comburentes ou solúveis em água. Ao mesmo tempo, eles não se enquadram na classificação de perigosos Um exemplo disso são papéis não contaminados.

Como implantar um plano de gerenciamento de resíduos?

O processo de gestão da oficina inclui as mudanças nos hábitos da empresa, atualização constante e monitoramento das atividades adotadas. Com isso, os resultados podem ser percebidos a médio e longo prazos. Na execução do descarte correto de materiais não é diferente. Além de servir como estímulo ao serviço, adotar um plano de gerenciamento de resíduos significa vantagens que vão desde a redução de custos e impactos ambientais, até a diminuição de acidentes dentro do espaço de trabalho e o aumento da credibilidade com o cliente.

Mas, antes de chegar à destinação efetiva dos resíduos produzidos dentro da oficina, são necessárias três etapas:

  1. Captação dos resíduos: é o momento onde é realizada a retirada dos resíduos do local em que eles estão acumulados, ou seja, da oficina mecânica. Nesta etapa são analisados o tipo e o volume de cada material a ser descartado. Para otimizar esse processo, existem profissionais com experiência e veículos destinados a cada um dos tipos de resíduo existentes.
  2. Separação: depois de coletados, os resíduos precisam ser tratados de forma específica: corte, refino, trituração, limpeza, centrifugação, dentre outros procedimentos. Após, alguns materiais se tornam aptos para a reciclagem, reutilização ou destinação a novas indústrias que o utilizem como matéria-prima.
  3. Destino: por fim, o material é destinado de acordo com as normas e a legislação vigente. Quando a gestão e tratamento de resíduos estão sendo implementados de maneira correta, o descarte dos mesmos acontece, consequentemente, sem prejuízo para o meio ambiente. Ao administrar esse processo, sua oficina pode receber o certificado de responsabilidade ambiental.
Descarte de lixo na oficina mecânica

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece um código de cores para os diferentes tipos de resíduos. A medida facilita a identificação dos coletores e transportadores, afim de contribuir com a reciclagem dos materiais. Que tal conferir as cores para a separação correta dos resíduos e implantar as lixeiras necessárias aí na sua oficina?

CorResíduosDescarteNão descarte
AzulPapéis secos e papelãoJornal, revista, folha de caderno, envelopes, etcPapel higiênico, guardanapos
VermelhaPlástico e isoporCopos, sacolas, recipientes garrafas PET, etcEspuma, acrílico, adesivos
VerdeVidroGarrafas, potes, cacos de vidro, etcEspelho, óculos, cerâmica
AmarelaMetalLacres, ferragens, arames, canos, chapas, parafusos, ferramentas, etcGrampos, clipes, latas de tinta ou verniz, solventes ou químicos
LaranjaResíduos perigosos ou contaminadosPilhas, baterias, óleos, produtos eletrônicos, lâmpadas, tintas, produtos químicos, etcOutros tipos de resíduos
RoxaResíduos radioativosSolvente aquoso ou orgânico, materiais radioativos ou contaminadosResíduos não radioativos
MarromLixo orgânicoFrutas, saquinho de chá, filtro de café, legumes, biscoitosRemédios, poeira, gorduras e óleos, ossos, produtos químicos
PretaMadeiraCaixas, palito de dente, móveisParafusos e pregos
CinzaResíduos gerais, não recicláveis e não passíveis de separaçãoFraldas, absorventes, papel higiênico, adesivos, poeira, guardanapos, restos de carneResíduos que podem ser reciclados

Além de contribuir com a coleta de resíduos, você também pode praticar ações que visem o consumo sustentável dentro da oficina mecânica. Uma dica simples para isso é contar com as transformações dos 7Rs:

  • repense
  • reintegre
  • responsabilize-se
  • recuse
  • reduza
  • reaproveite
  • recicle

A partir disso, o descarte correto de resíduos da oficina fica mais fácil e você também conseguirá pensar em novas ideias que incentivem tanto seu quadro de profissionais, quanto seus clientes a se conscientizarem sobre o assunto.