Como fazer gestão da qualidade em oficina mecânica?

Assim como em qualquer negócio, a gestão de oficina mecânica é imprescindível para os resultados positivos do negócio

Seja a curto ou longo prazo, o controle do serviço das oficinas pode ser melhorado. A gestão da qualidade pode até parecer complicada no início, mas na prática ela tende a facilitar os processos de trabalho. A tarefa consiste, basicamente, em esquematizar o que já é feito dentro da sua mecânica e abrir horizonte para novas ideias, que possam aprimorar ainda mais o serviço.

A organização de atividades internas, por exemplo, tem o intuito de evitar um retrabalho e aperfeiçoar, ao máximo, a totalidade de cada processo. Qualquer empresa que acompanha as mudanças do setor quer otimizar sua produção ou, simplesmente, aderir à práticas saudáveis de gestão. Algumas regras da gestão da qualidade valem também para as oficinas mecânicas: baixar custos, evitar desperdícios, melhorar a organização, fazer gestão de pessoal, entre outros.

Aspectos a serem considerados na gestão da qualidade

Além de equipamentos e materiais em boas condições para uso, a capacitação dos profissionais é fator chave dentro de uma oficina. Afinal de contas, é o mecânico quem está à frente de todo o trabalho. No setor automotivo sempre surgem novidades tecnológicas, o que exige uma atualização constante dos profissionais do setor conforme as demandas. Só os manuais Simplo, por exemplo, recebem cerca de três upgrades por ano.

A padronização de processos é outra forma de garantir mais qualidade para os seus serviços. A cultura de uma empresa nasce da sua comunicação e do seu próprio jeito de fazer cada um dos trabalhos. Seguir um discurso coerente e alinhado dá mais engajamento aos funcionários, na busca por melhores resultados. Os clientes também percebem isso: quando a mensagem repassada é positiva, contribui para a fidelização da oficina.

Além de tudo isso, organização é indispensável para os negócios. Fator decisivo para a qualidade dos serviços da oficina, a organização inclui a possibilidade de um estoque com materiais catalogados, rigorosamente controlados e separados por critérios. Sem contar que um ambiente limpo também é essencial!

Você já ouviu falar no 5S?

Entre as ferramentas básicas que podem ser usadas para implantação do controle de qualidade em uma oficina, o programa 5S pode ser uma boa escolha. O método contém princípios importantes de gestão e demanda mais boa vontade e comprometimento, do que recursos financeiros propriamente ditos.

Criado no Japão, o 5S visa a conscientização da qualidade nos processos produtivos e na promoção do bem estar no ambiente de trabalho. Confira um breve resumo, de acordo com a ProAuto:

Seiri – senso de utilização e descarte: melhorar o uso do que é útil
Uma maneira prática de desenvolver isso na oficina é separar as coisas necessárias das desnecessárias, dando um destino adequado àquilo que não necessita ser guardado. Significa também utilizar os recursos disponíveis, com bom senso e equilíbrio, evitando desperdícios.

Seiton – senso de arrumação e ordenação: um lugar para cada coisa
Nesta etapa é importante classificar todos os materiais conforme sua necessidade de uso, aqueles usados com maior frequência devem ficar sempre mais acessíveis do que os utilizados raramente. Isso auxilia também a administração do estoque, pois os itens são identificados com facilidade e se torna mais prático e rápido saber o que está acabando, evitando faltas ou excessos.

Seiso – senso de limpeza: lugar limpo não é o que mais se menos se suja Consiste nos cuidados com a aparência e higiene da oficina, do meio ambiente e das pessoas envolvidas. A conscientização de todos com a manutenção e limpeza do ambiente vai contribuir com para evitar muitos desperdícios de tempo e dinheiro. O desenvolvimento do senso proporciona maior produtividade das pessoas, máquinas e materiais, evitando o retrabalho. Todos são responsáveis por ele!

Seiktsu – senso de saúde e higiene: padronizar práticas saudáveis
Prevenir é melhor do que remediar. Para praticar o senso de saúde, deve-se manter e aprimorar as melhorias promovidas anteriormente. Considere saúde física, mental, social, financeira, ambiental, e até as práticas saudáveis na execução do trabalho. Trabalhe com mais saúde e segurança no seu negócio: o Brasil é recordista mundial em acidentes de trabalho.

Shitsuke – senso de autodisciplina: assuma responsabilidades Tenha disciplina de acompanhar o desempenho do negócio, faça o controle produtivo, reprodutivo, sanitário. Inclua nesta etapa a disciplina e o domínio financeiro da oficina, anote tudo que foi comprado, pago, retirado e recebido. Habitue-se a gerenciar isto. Estes acompanhamentos requerem muita disciplina, pois deve ser constante, somente o que for medido e avaliado poderá ser melhorado!

Simplo + gestão da qualidade

Por mais que não estejam ligados diretamente à gestão de qualidade nas empresas, os manuais Simplo e as informações técnicas contidas nele, por exemplo, são uma boa fonte de consulta para as oficinas. Com o material específico de cada marca, você pode otimizar o tempo que gasta em cada processo.

Além disso, também podemos destacar outras ações quando o assunto são as reparadoras, mecânicas e demais oficinas. O Sebrae, juntamente com a Associação Brasileira de Normas Técnicas, disponibilizam a cartilha “Oficinas mecânicas: serviços com padrão de qualidade”, que visa alavancar os serviços prestados nas oficinas.

Outra boa dica a ser seguida é a da Magneti Marelli. A empresa possui um sistema de certificações e normas de gerenciamento integrado a todos os processos da fábrica. Ele engloba desde a segurança ao meio ambiente, passando pela manutenção, logística e qualidade e seu objetivo é aperfeiçoar continuamente os desempenhos de produção, buscando uma redução gradual do desperdício.